Hoje não escrevo sobre arte têxtil, nem sobre aquarela ou block printing. Escrevo sobre uma arte silenciosa e ainda assim profundamente expressiva, que enche os olhos e encanta, a mesa posta.
É um ritual o ato de arrumar a mesa, o estender da toalha, o alinhar dos pratos, o cuidado ao dobrar um guardanapo e o gesto delicado de posicionar os talheres no preparo de um encontro importante. Porque é isso que a mesa é, cenário de encontros.

Para essa conversa, convidei Alice Isabel M D Job, meseira por essência, herança e escolha. Sua história com a mesa posta começa na infância, quando via a mãe transformar refeições comuns em momentos especiais apenas pelo cuidado ao arrumar.“A mesa posta começou em casa”, ela diz. E talvez essa seja a definição mais bonita e mais verdadeira.
Antes de qualquer manual, antes de qualquer tendência, antes das vitrines e das redes sociais, foi dentro de casa que ela aprendeu que a hora da refeição é um gesto de amor e ancestral.
Alice é meseira desde criança, aprendeu com a mãe e com o passar dos anos, aprimorou seu olhar, pesquisou, estudou e hoje presta consultoria na área. Mas sua prática continua sendo diária, do café da manhã ao jantar, passando pelo almoço e pelo lanche da tarde. E assim ela responde à primeira pergunta de como surgiu a mesa posta? Em casa.
“Antes de qualquer manual de etiqueta, antes de tendências e vitrines, é no ambiente familiar que aprendemos a colocar na mesa os itens necessários para cada refeição. É ali que entendemos, ainda crianças, que a mesa é lugar de encontro”, esclarece.
Alice diz que, “se formos olhar para a história, geralmente encontramos referências às civilizações antigas como egípcios, gregos e romanos” e faz uma reflexão interessante. “Talvez o embrião da mesa posta esteja ainda mais atrás, na Idade do Bronze e do Ferro, quando passamos a utilizar facas rudimentares. Há registros de distinção entre facas de caça e facas destinadas à “mesa”, ainda que esta, como conhecemos hoje, não existisse. Também surgem registros de colheres simples, que, segundo a lenda, teriam sido inspiradas no formato das conchas observadas por nossos ancestrais”.
Ou seja, organizar utensílios para partilhar alimento é um gesto ancestral. A mesa posta é, em essência, civilização.
A mesa é lugar onde nascem memórias



Alice lembra que é na mesa que acontecem os encontros e que se criam memórias afetivas. “Quando reunimos família e amigos para uma refeição, demonstramos afeto e cuidado. Não se trata apenas de servir comida, mas de oferecer tempo, presença e intenção. Ter pessoas queridas à mesa para partilhar alimento e conversa é o mais formidável”.
E o que não pode faltar na mesa posta?
A resposta de Alice é simples, grande e direta. “Amor”. E explica que “a dedicação colocada no preparo da refeição e na arrumação da mesa é o verdadeiro elemento indispensável. Louças e talheres variam, mas o cuidado, não”.


O essencial para cada refeição
A meseira disse que a mesa posta não exige excesso, mas pelo contrário, pede essencialidade. “Os itens variam conforme o tipo de refeição. Café da manhã ou lanche da tarde pedem xícaras com pires, pratos de lanche (ou sobremesa) e talheres de sobremesa. Já o almoço ou jantar, pratos principais, pratos de sopa (se houver), facas, garfos e colheres adequados. Cada utensílio tem sua função e deve estar disposto de maneira organizada, facilitando e nunca atrapalhando a experiência da refeição”.
No cotidiano, basta o essencial, afirma Alice. “ Pratos, copos e talheres, sobre uma toalha ou jogos americanos”.
Guardanapos
Sobre os guardanapos, Alice diz que o de tecido têm sido amplamente utilizados por serem versáteis e charmosos. “Quem pode lavá-los com frequência, é uma boa escolha sustentável”. Quanto aos de papel, ela diz que evoluíram muito. “Além do clássico branco, há opções temáticas que trazem leveza e alegria”.


“Cada casa, cada rotina, pede uma escolha diferente”, salienta. “E aqui está um ponto fundamental a mesa posta da nossa casa não é vitrine. Simplicidade e elegância caminham de mãos dadas”.
Quando a mesa vira celebração
Há momentos que pedem um cuidado extra, como o almoço de domingo em família, jantar no Dia dos Namorados, aniversário de casamento, Dia das Mães, Dia dos Pais…”Ocasiões especiais merecem preparativos caprichados. É o momento ideal para usar a toalha de linho bordada, enfeitar a casa com flores frescas, tirar do armário aquela louça herdada da mãe ou da avó, guardada para dias de festejo. A mesa posta, nesses dias, torna-se cenário de celebração e memória”.


Tendências, não modismos
Para Alice, na mesa posta não existe moda no sentido efêmero da palavra, mas existem tendências. “A cada ano recebemos uma avalanche de informações sobre a “cor do ano” e sobre o que estará em destaque nas vitrines. Mas nem tudo que é tendência combina com nosso estilo pessoal ou com o que já temos em casa”.
Atualmente, há uma forte busca por elementos orgânicos e cores naturais, o que impacta diretamente a indústria de decoração e, claro, a mesa posta.

Ao visitar uma loja para adquirir novas louças, você encontrará tanto os clássicos quanto peças alinhadas às tendências contemporâneas. A escolha é sempre pessoal e deve ser consciente. Antes de comprar, pergunte-se: O que eu já tenho? Do que realmente preciso? Isso combina com meu estilo e minha casa? Para evitar que algo fique esquecido no fundo do armário, coerência é a palavra-chave.
Cores e combinações
Algumas escolhas são atemporais: Louças brancas, o clássico dos clássicos. Tons terrosos, como bege, para peças de servir. Copos e taças transparentes. Talheres em aço inox. Esses elementos funcionam como base neutra e elegante. As cores podem entrar com mais liberdade nas toalhas e guardanapos.




E aqui entra uma tendência querida, o “mix and match”, misturar e combinar. “É possível brincar com cores diferentes entre toalhas e guardanapos, duas tonalidades de louça, texturas distintas, como uma peça lisa combinada com outra em relevo. A louça branca ou transparente é uma grande aliada para quem está começando, pois permite inúmeras combinações”.
Menos é mais
No fim das contas, a mesa posta é sobre intenção. Não sobre ostentação.É sobre transformar o cotidiano em algo especial. É sobre criar beleza no simples. É sobre oferecer presença. “E, como já dizia Coco Chanel “menos é mais”, finaliza Alice.

Que a sua mesa, simples ou elaborada, seja sempre um lugar de encontro, memória e amor.
Quer conhecer mais a fundo o trabalho de Alice? Visite seu instagram:
https://www.instagram.com/aliceisabelmesapostatabledecor/
Giovana

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