“Moro em mim. Sempre deixo as janelas entre abertas pra sentir o sopro de raros afetos.A porta? – só abro para poucos. Todos os dias, eu percorro meus cômodos, corredores e contemplo a vida pela varanda…”
Começo este post com trecho de um poema de Mário Quintana, o poetinha gaúcho, cuja as palavras inspiram-me a pensar sobre o morar em mim que se conecta com o ateliê, a varanda e o jardim da casa que moro.

Tem dias que a casa recebe flores e folhas frescas para compor formas e cores, adornando os espaços e trazendo um pouco da natureza para dentro da morada ateliê e da minha alma de poeta mesclada com artista.


A construção do início do século XX é carregada de histórias, com paredes que sussurram nostalgias que não são minhas, mas que de alguma forma me tocam. É neste ambiente de muitas possibilidades, que crio, recrio, apaixonada, pelo fazer das minhas mãos.
Uma residência que é arte
O projeto Gaia não nasceu nesta casa, mas foi nela que fortaleceu seu propósito do fazer com as mãos e criar memórias de manualidades, utilizando tecidos, papel, tintas, folhas, flores, sementes, sal, barbante, palitos, pincéis, parafina, bastidores e uma série de substâncias extraídas da natureza.

A casa permite o benefício do “ao ar livre”, o que não dispunha no apartamento, e assim posso experimentar diferentes técnicas da apaixonante arte da tinturaria e da estamparia manual.

A preparação é constante, recheada de pequenos desafios e de momentos de descobertas sobre têxtil, moda, aquarela…
O refúgio de Gaia
De atmosfera artística, a casa antiga é mais que um lar-ateliê, é um refúgio urbano. Tudo nela conta uma história. Há significados em cada pequeno objeto que ela protege. É um lugar de encontro onde arte e criação se abraçam de mãos dadas com a sustentabilidade, o fazer devagar, respeitando o tempo de cada etapa, cada processo para chegar a um resultado.




Do lado de fora, um pequeno pátio, com um velho poço, que foi fechado e hoje é ornamentado com plantas. O jardim que estava abandonado por anos, foi replantado, com folhagens que crescem a cada dia, enfrentando no verão o sol tórrido da fronteira gaúcha e, no inverno, o rigoroso frio sulino. As que sobrevivem ao clima tornam o lugar um pequeno pedaço de paraíso para degustar outonos e primaveras.
Na varanda, a arara de madeira, cujo nome é Elis, vigia nossos dias. Folhas e pétalas integram o ambiente onde se faz impressão botânica.

A casa, repito, é mais que um lar, é uma poesia visual que me inspira no projeto Gaia com suas múltiplas possibilidades. É neste ambiente que escrevo, que vivo, que existo.
Giovana

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